Batman: Arkham Asylum

Batman: Arkham Asylum Batman: Arkham Asylum
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Editora: Eidos Interactive
Produtora: Rocksteady Studios
Gênero: Ação/Plataforma
Lançamento: 15 Setembro 2009
Classificação ESRB: Teen

Nota: 9.4 | Review por André Monsev

Cheguei aos créditos finais de Batman: Arkham Asylum com um sorriso estampado no rosto e uma vontade imensa de uma sequência. Fazia tempo que um jogo não me prendia tanto do início ao fim, fazendo com que eu terminasse ele em pouco tempo. Não que o jogo seja extremamente pequeno – ele não é um jogo grande em termos de horas de duração, também – mas é um jogo intenso a ponto de te prender por horas a fio, ansioso para o próximo problema a ser resolvido. Não é um jogo oficialmente do último filme do Batman (que, vamos combinar, é o melhor filme do homem-morcego), mas faz também o papel de melhor jogo do herói. Aliás, jogos sobre heróis têm voltado, e muitos surpreendendo como o Wolverine. E felizmente, com o morcegão não foi diferente.

Passado as minhas impressões e opiniões iniciais (e também o desabafo que eu simplesmente necessitava fazer) devo dizer que o clima desse game é simplesmente perfeito e fiel a todo o universo de Gotham. O hospital psiquiátrico Arkham foi recriado de uma forma muito competente e detalhada, além de inteligente. Tudo no jogo sempre acaba se encaixando bem e se complementando e é por esse motivo que acontecesse de se ficar durante toda a aventura transportado para a história. Indo mais a fundo nos cenários, pode-se notar áreas especiais e mais “escondidas”, e também diversos caminhos alternativos – que se assemelham a uma espécie de mundo aberto, porém sem deixar a história de lado, nesse caso – e assim criam um número bem variado de possibilidades de exploração e realização dos objetivos.

Uma coisa que eu não contava: bons combates. Esse tipo de jogo, muitas vezes, sempre parte para uma combinação absurdamente grande de botões, o que é uma porcaria para muita gente como eu que simplesmente não gravará os comandos e consequentemente será incapaz de executá-los no momento que for necessário. Isso, pra mim, é sempre um motivo forte de frustração. Mas, em Batman: Arkham Asylum isso não acontece. Com maestria, ele utiliza um sistema simples, intuitivo mas que não deixa um ar de repetição também: o que é ótimo. Ou seja, nem muito complexo, nem muito repetitivo: na medida certa. É isso mesmo. O jogo acerta em tudo quanto ao que diz sobre sua jogabilidade. Movimentos precisos, nenhum bug nesse quesito (não que eu tenha identificado), e aquela combinação “gostosa” de botões que levam o jogador de fato para nada mais, nada menos, que a pele do homem-morcego.

Dentro dessa área a ser explorada, há também a câmera que em momento algum falha. É bom lembrar que há um comando chamado “detective mode” em que Batman fica apto a enxergar com uma espécie de “detecção de calor”, sabendo onde está cada inimigo, se está com armas de fogo ou não. Além disso, também pode ser utilizado para encontrar meios alternativos de caminhos e fugas, essenciais para a ação “às escondidas” do homem-morcego. Isso pode ser uma idéia considerada idiota no início mas, ao longo do jogo, é notável o porquê dela ser acrescentada, se tornando fundamental e essencial para o jogo fluir bem e o jogador realmente se sentir como o herói.

Os gráficos, que tanta gente se importa, também não estão nada mal. Os ambientes são praticamente todos escuros, mas toda essa penumbra do jogo foi feita com muita dedicação e elegância, causando um clima de suspense e escuridão. Ou seja, o mundo de Batman é sombrio, e o jogo cumpre bem essa característica. Mas não só isso: as animações e movimentos de luta também são espetaculares. Não há movimentações muito bruscas e outras claramente “falsas”, ou seja, não existe simplesmente aquele tipo de artificial que chega a dar um desconforto. As ações do herói são realmente naturais e dá para notar que, apesar de muito poderoso, ele é feito de carne e osso (mesmo que, no caso, esteja sendo representado por polígonos).

De nada adiantaria os belos gráficos, animações e modelagem se o jogo apresentasse uma trama muito simplória. Para a sorte de todos, não é isso que acontece. O jogo começa com o Coringa sendo preso e com Batman acompanhando todo o processo. No entanto, ninguém contava que a prisão do palhaço fosse apenas o início de seus planos. A partir de determinado momento, seu plano entra em ação e a ilha Arkham sai do controle e é isolada. Cabe a Batman o dever de impor a ordem em meio a todo o caos que é criado. O interessante é que esse caos não simplesmente aparece do nada, pois é notável a evolução ao longo da história. Por exemplo, no início, andar no lado de fora das instalações ainda era seguro – e inclusive policiado – mas com o passar do tempo (e das missões que vão sendo realizadas) Arkham vai cada vez sucumbindo mais ao poder do Coringa e de seus capangas, eliminando qualquer tipo de vida racional que esteja do lado da justiça. Através de um vírus (denominado de “venom”, mas nada a ver com Homem-Aranha, né), o Coringa vai consumindo a tudo e a todos, deixando Batman fadado a sua própria capacidade, inteligência e habilidade e, é claro, contando com a pequena ajuda da filha do comissário Gordon através de um “rádio-comunicador”. Mas, como Arkham Asylum abriga os mais perigosos vilões de Gotham, a missão do homem-morcego não será nada fácil. Diversos vilões aparecem na história, como a Arlequina, Croc, Bane, Espantalho, Era Venenosa. Ainda há algumas participações “indiretas” como do Charada – que constitui apenas em charadas que cabe ao jogador descobrí-las ao longo do jogo, se quiser. O importante é que todos os vilões estão muito bem representados e com dublagens excelentes. Simplesmente um ambiente totalmente fiel a todo o universo de Gotham.

Como já foi dito, o jogo não é muito longo. Ele é sempre muito intenso, com ação a cada minuto e variando nas formas de se controlar Batman – como as fases do Espantalho em que, ao soltar o gás do medo, o objetivo do homem-morcego é chegar até o holofote com o símbolo que o representa e virar contra o Espantalho “gigante” (e o jogo ganha uma visão mais de “plataforma”). Só assim, Batman consegue enfrentar seu medo e sair do mundo apocalíptico de Espantalho e voltar para o seu mundo que não está lá muito diferente. Além disso, é bom lembrar que existem momentos para a pancadaria rolar solta, momentos para bancar o detetive e momentos para dar uma de Hitman fantasiado de herói da DC e incapacitar cada capanga do Coringa silenciosamente. Essa variação pode, no entanto, cansar o jogador. Se no início a fase do Espantalho é algo de se espantar (trocadilho infame), depois começa a ser um tanto quanto cansativa. Mas, a participação do vilão vale a pena por trazer momentos assustadores ao colocar Batman cara-a-cara com o fato mais traumático de sua vida: a morte de seus pais. Mais detalhes disso não revelarei para evitar spoilers.

O jogo conta também com gravações de entrevistas feitas com os vilões pelos cientistas e médicos que trabalham em Arkham. É bem legal de ouví-las, e realmente funciona como um extra muito divertido e interessante. Além disso, há outras peças espalhadas e escondidas pelos locais que contam sobre a construção, planejamento e história do Arkham Asylum. Mas confesso que, apesar de muito legais, não são muito motivadores para continuar o jogo após derrotar o Coringa e “não ter nada mais para se fazer”. É legal apenas ao longo do jogo, quando o jogador vai encontrando as peças pelas fases mas ainda tem que, no final das contas, trazer a paz de volta. Isso faz com que o jogo não sobreviva muito mais depois de completar toda a história, o que é uma pena. Ainda há o modo “challenge” em que o jogador é desafiado a combater os capangas do Coringa e tentar a melhor pontuação possível. É extremamente divertido pois as lutas são muito boas – e os motivos disso eu já citei – mas depois de feito algumas vezes, também fica um tanto quanto supérfulo.

Apesar desses defeitinhos finais não dá para tirar muitos pontos desse que veio para se tornar um jogo clássico. E, sem dúvida, é o melhor jogo do Batman e, quem sabe, o melhor jogo de super-heróis. Batman: Arkham Asylum não só correspondeu às expectativas, como também as superou, trazendo uma história concisa, uma trama inteligente, jogabilidade não inovadora, mas muito bem executada e criando um clima totalmente fiel ao universo. É sem dúvida um jogo essencial para quem goste do homem-morcego e para quem gosta de jogos de aventura/ação. Recomendadíssimo por ser, simplesmente, um dos melhores games de PC que joguei nos últimos tempos, e que mais me prendeu.