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Napoleon Total War Tópico de discussão Editora: SEGA Produtora: Creative Assembly Gênero: Estratégia em tempo real – RTS Lançamento: 23 de fevereiro de 2010 Classificação ESRB: 16+ |
Nota: 8.8 | Review por Rod FB
Napoleon: Total War é, em resumo, e em questão de estruturas e mecânica, um aparar de pontas de seu antecessor Empire Total War. Mas isso não quer dizer que seja uma repetição dele, até porque o tema é novo, agora Total War narra a saga de um dos maiores, mais inteligente e mais impiedosos imperadores da história, Napoleão Bonaparte. Contado atráves de um tutorial e 3 campanhas pricipais, além da campanha da coligação.
De começo, reconhece-se a competência da Creative Assembly em retratar momentos e fatos históricos aliados às exigencias do mercado. Napoleon Total War, assim como toda a série, faz jus à classificação jogo histórico em relação à outros. Porém, como esta análise é escrita por um estudante de história, em momentos, ao decorrer deste texto compararemos a mecânica, os esquemas, talvez a própria história do jogo com a realidade histórica da fase. Mas não será só isso, pois também sou um gamer fanático por RTS.
Bom, o jogo é dividido entre 3 campanhas principais, como já dito; mas a história começa mesmo com o tutorial, que narra da infância, ascenção e ideologias do protagonista, de modo bem interessante. As 3 campanhas têm dificuldade crescente, a primeira é a da Itália, quando começa a expansão da França Napoleônica. Já a segunda situa-se no Oriente Médio, durante a invasão do Egito, parte que nos premia com belos cenários e emocionantes e sangrentas batalhas. A terceira campanha é a da Europa, e é uma mais ampla, aproximando-se aos predecessores. Os mais críticos perguntam-se, e a campanha da Rússia? foi minimizada. Bom, agora vamos ao que se passa do outro lado das barricadas, na mira dos mosquetões franceses; a Coalition’s Grand Campaign, que narra a história do lado dos inimigos de Napoleão. São quatro, campanha da Áustria, da Prússia, da Rússia e dos grandes rivais britânicos.
Além destas campanhas, como já era de se esperar, podemos curtir e nos deslumbrar com as batalhas históricas, destre elas as de Waterloo, Austerlitz ou ainda do Nilo. Estão belíssimas e recriam com a possível perfeição as batalhas. Criam a real sensação de estarmos dentro de algo que marcará a Europa. Os detalhes são fiéis e os belos gráficos, efeitos visuais e sonoros, entre outras melhorias contribuem para criar este clima. O multiplayer vem com uma mudança, o drop-in-battles, que possibilita à um amigo entrar em uma batalha que já esteja em andamento. Além disto podemos iniciar uma campanha em dupla, o que não recomendo muito, pois terás de esperar bastante até que outro conclue seu turno, o que dimuniu um pouco a dinâmica.
Agora os turnos correspondem à duas semanas e não à seis meses como nas edições anteriores. A diferença prática é que agora as estratégias de terreno se tornam mais efetivas, ou seja, é mais fácil analisar os movimentos inimigos e formular estratégias à partir de seu território para defendê-los, mais objetivamente, vendo os exércitos inimigos se movimentarem para o ataque, podemos posicionar os nossos em lugares estrátégicos sem que eles avancem antes disso. Ao contrario dos antecessores onde um exercito inimigo poderia chegar em sua cidade em um só turno. Além dessas alterações, nesse novo sistema de turnos, mais curto, podemos observar claramente as mudanças climáticas das quatro estações do ano, e à partir disso suas influências sobre o jogo. Falarei mais disso mais à frente.
A mecânica ainda não é perfeita, para mim, mas está bem mais madura. As relações diplomáticas agora estão mais bem desenvolvidas e realistas, o dinheiro agora seduz mais aos estrangeiros. Embora não seja ainda tão fiél a realidade. Não se é possível conversar com uma cidade cercada sobre sua rendição e as condições desta, assim como não se é capaz de negociar a liberação de uma estrada ou ponte. Ou seja, a diplomacia ainda é muito limitada. Temos muita liberdade de movimento. Podemos movimentar os exercitos por áreas mais minusciosas, até por que o mapa é muito detalhado e amplo, podemos nos mover por entre os vales dos pequenos morros, nos vindo à cabeça até a possibiliade de travar uma batalha alí mesmo. Mas um dos pontos mais fracos do jogo são as condições para se travar uma batalha, exemplificando, a eventualidade de pequenos ataques aleatórios e consequêntemente a não possibilidade do travamento de grandes batalhas decisivas. O que nos remete à visitar a seção de batalhas históricas. Mas há um ponto forte também, as batalhas ocorrem com grande frequência em lugares planos, devido ao mapa se bem amplo.
Um dos avanços mais dignos de apreciação neste novo jogo são as influências das condições climáticas e naturais sobre o exército, a produção e até à população. Chegam, em certos momentos, assim como na história, à ser decisivas. Assim como na derrota definitiva de Napoleão, não tente invadir um território em plena estação gelada, ou ainda, não faça a burrada de atravessar uma área árida longe da água. Já sobre a produção agrícola, ela pode se reduzir no inverno, ou mais ainda se passar por seu território uma nevasca, assim como a moral da população. E a moral é importante, tanto do povo quanto a do exército. A moral da população é facilmente influênciada. Uma cidade ficará tenebrosa caso um exército inimigo pise em seu território. Sua produção irá abaixar e a insurreição aumentar. E se tal cidade estiver sem proteção… Se fizer muitos inimigos, a moral de todo o seu povo será alterada, e se manter boas relações diplomáticas o contrário. No campo de batalha, uma tropa cansada, sob as balas precisas, e até demais, dos canhões, não terá nenhuma possibilidade de lutar até à morte, ela se renderá, e nem precisa-se de tanto para isso.
Detalhitas. Um dos adjetivos que definem melhor os produtores deste jogo. Não só em relação ao grafismo, mas no que se trata as interações entre as contruções e as cidades, as habilidades dos soldados, dos generais. As características das unidades são descritas com mais detalhes. Não se trata de mostrar apenas se tal unidade tem tanto de defesa ou ataque, tarata-se de descrever qual tipo de ataque ela tem, entre outras coisas. Podemos assutar ao nos depararmos com uma série de descrições, inclusive históricas, de uma construção ou unidade. Ou nos surpreender com a reação dos tripulante de um navio que tenha afundado, nadando desesperados atrá de algo a apoiar-se.
O gerenciamento é bastante complexo. Cada melhoria deve ser bem pensada, porque qualquer efeito é significativo. E não sature suas cidades de exército se te sobra dinheiro, pois a manutenção e o sustento dos soldados não é nada barato. Há contruções que evoluem intelectualmente a população, de primeiro parace bom, mas com o passar do jogo a população se torna mais exigente, mais insurreta e mais libertária. Iluminismo meu caro. Mas não se preocupe com dores de cabeça, temos a opção de automatizar o gerenciamento da cidades, cabendo a nós apenas o comando militar. Porém, o mais racional é automatizar apenas o gerenciamento das cidades do interior, pois a criatividade humana pode ajudar em áreas de fronteira, de tensão.
O ápice do jogo, como já era de se esperar, é quando dois exercitos inimigos entram em conflito, a batalha. Aumente o som, ajeite-se na cadeira e concentre-se, o bixo vai pegar. Em Medieval II Total War e até em Empire Total War, com alguma experiência, as batalhas começam a ficar até entediosas, chegando ao ponto de conseguirmos vencer uma batalha contra um grande exército apenas usando os arqueiros e a cavalaria. Enfim, em Napoleon Total War não é assim não, bichão. Uma derrota em superioridade numérica pode acontecer por uma pequene bobeada. Posicione bem seus canhões, eles tem poder letal e moral enormes, até exagerados, raramente errará o alvo, e isso é um dos pontos fracos da batalha; e não tente muito bombardear uma cavalaria correndo, seus canhões podem não consegur nem atirar. Procure ao maximo posicionar suas tropas em lugares altos. Assim elas se tornam alvos mais difíceis de serem atingidos e atingem o inimigo com maior efetividade. A estratégia supera o poder de fogo. Na história também é assim.
Além da batalhas navais, que são belas e majestosas, ainda mais quando comandamos navios maiores e mais avançados, equipados com suas dezenas de canhões à explodir e destroçar os navios inimigos. Dá-nos arrepios ver um gigantesco navio inimigo com as velas à cair e o casco à desfalecer-se levando-o a tombar sobre a água. Mas precisaresmos de um bocado de sorte para que isso aconteça, pois podemos passar setenta por cento das batalhas à perseguir o imimigo que resolveu se reposicionar movimentando-se à 10km/h.
O calcanhar de Aquiles é menor, mas há. A AI, melhorou muito, mas ainda é falha. Algumas vezes, raras, nos depararemos com soldados inimigos que param e ficam sem reação em pleno campo de batalha, navios que estacionam e cesam fogo no ápice do combate e “até tentativas cómicas de conquistar cidades com exércitos insignificantes” (eurogamer), coisas que subtraem bastante a diversão. Algunsrros que nos possibilitam tirar vantagens no campo de batalha, um atalho a vitória. E outra é que os exercitos inimigos hesitam muito em atravessar o campo de fogo para atacar, ao invés disso param e correm, sem hesito, para todos os lados. Bom, resta pensar que já foi pior, agora é raro.
Os gráficos e o visual estão bem mais trabalhados. As texturas estão mais ricas, os soldados, as contruções e as cidades estão menos repetitivas, mais reais e detalhados. Com destaque aos soldados, que quase nunca são iguais, com detalhes diferentes nos uniformes e até na fisionomia. Os campos de batalha e as animações foram mais trabalhados, o que se nota no fumo que fica no ar após uma salva dos mosquetes ou de canhões. Os terrenos tem cores mais forte, a vegetação é bem realista e a agua tem mais brilho. As batalhas estão mais belas do que nunca.
A trilha sonora de Napoleon: Total War é um de seus pontos mais fortes. Canções clássicas gravadas por orquestras. Elas nos envolvem ao jogo de modo que torna qulauqer batalha grandiosa e gratificante à quem joga. Além da trila, os efeitos sonoros também dão um tom de realismo às batalhas. O som dos canhões, dos tiros dos mosquetes, das espadas cortando, dos cavalos galopando e dos exércitos gritando para o ataque, estão muito belos e muitas vezes nos pegaremos em arrepios ao ouvir o exército em exaltação após uma vitória.
Efim, Napoleon Total War, que caberia bem como uma expansão do Empire Total War, não vem com muitas novidades, mas com muitas melhorias, tanto gráficas e áudio-visuais, quanto de mecânica e AI. A linearidade promove uma maior fidelidade histórica e dinâmica de jogo. A polidez do novo jogo da série Total War é clara em todos os seus quesitos: belíssimos visuais, som adequado, enredo histórico bem pesquisado e apresentado, interface fácil e bem trabalhada e, principalmente, jogabilidade estratégica excelente. Um jogo maravilhoso aos fãs do estilo, apesar de alguns problemas. Estratégico e desafiante, Napoleon Total War é emoção certa. Faça a história.
